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Casais da dança: juntos nessa paixão – Vantagens e desafios de ter um amor da dança

Encontrar um amor que também dança é incrível. Há muitas vantagens numa relação de casais da dança, mas há também os desafios. 


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Casal da dança Nathália e Alexey na apresentação de zouk na qual foram o casal principal.

Para nós, pessoinhas dançantes e apaixonadas por essa arte, encontrar um amor que também dance é simplesmente sensacional.  Por ter essa paixão em comum, o casal tem sempre muitos assuntos para conversar e ficam horas falando sobre dança, vendo vídeos, discutindo conceitos e treinando passos. Planejam ir juntos a congressos e festivais de dança ou sempre incluem no roteiro da viagem algum lugar para dançar. Os dois gostam de sair para dançar e seja a festa que for, sempre terão seu/sua companheiro/a de dança. Fazem amigos em comum pela dança e, em muitos casos, trabalham juntos com isso. 

Quando o nível de paixão dos dois pela dança é parecido, os estilos de vida são similares e fica mais fica entender a prioridades que damos para a dança na nossa vida, seja para as aulas, ensaios, apresentações ou mesmo para os bailes e congressos. Além disso, quando o casal é da dança, principalmente da dança a dois, também é mais fácil compreenderem que dançar coladinho com outro alguém não tem nada demais, é apenas uma dança mesmo. Quem não é do meio, dificilmente entende isso.

Mas nem tudo são flores, claro que há também os desafios de se ter um companheiro que também dança. Muitas vezes as opiniões divergem sobre o, daí a discussão pode render. Para os que trabalham juntos com dança, também existe o desafio de separar o lado pessoal do casal, do lado de parceiros e profissionais de dança. 

Mas resolvi perguntar aos casais que entrevistei para essa série, quais as vantagens e os desafios que eles encontram com seus parceiros. Veja abaixo as respostas desses casais da dança:

 Vantagens e desafios de ter um amor da dança

Carla e Joseph


Casados e professores de balé e jazz na escola Magia da Dança. Veja a história deles no primeiro post da série Casais da dança.

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Carla e Joseph. Créditos: arquivo pessoal.
VANTAGENS

Para ela: “São muitas. O que falta em mim ele tem, o que falta nele eu tenho. Ele é muito criativo para montagens de cenário, figurino e produção artística; e eu na parte de coreografias e enredo de apresentações, por exemplo. A gente se completa mesmo na dança.”


DESAFIOS

Para ela: “A convivência constante pode gerar desafios. Por estarmos sempre juntos e falando da mesma coisa, obviamente que às vezes pensamos diferentes e surgem divergência de opiniões, mas conseguimos resolver tranquilamente.”

Clarissa e Felipe


Namorados, diretores e professores na escola Pé Descalço de Juiz de Fora. Veja a história deles no segundo post dessa série Casais da dança.

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Clarissa e Felipe. Créditos: Priscila Machado.


VANTAGENS

Para ela: “Por trabalharmos com dança e estarmos sempre treinando juntos, a gente cresce e evolui na nossa dança muito mais rápido. É ótimo ter alguém que temos liberdade e podemos treinar sempre.” 

Para ele: “ Concordo com ela e acho que ter uma parceira que dança para quem é professor é essencial, pois estamos sempre treinando juntos e também temos sempre alguém para sair para dançar.”

DESAFIOS

Para ela: “Ás vezes dá conflito de opinião sobre alguns assuntos da dança e da escola, é normal. Por ter muita liberdade um com o outro, às vezes ficamos muito exigentes e críticos com nosso parceiro de forma que não podemos ser com outras pessoas. Isso é delicado.”

Para ele: “Não viciar sua dança com um parceiro só é desafiador. É importante que o casal dance separado também para não acostumar a dança só com aquele parceiro. Tem que treinar junto, mas tem que dançar separado também.”


Angela e Paulo


Namorados, alunos de dança e ele também é professor de dança. Veja a história deles no segundo post dessa série Casais da dança.

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Angela e Paulo. Créditos: arquivo pessoal.

VANTAGENS

Para ela: “Ter um companheiro que dança é ótimo, tem muitas vantagens. Ter alguém para sair para dançar com você sempre é muito bom.”

Para ele: “Como sou professor, tenho sempre muitos bailes e eventos para ir. Ter alguém animada que goste de ir comigo e ainda se diverte lá também, me deixa muito feliz e tranquilo.”

DESAFIOS

Para ela: “Um desafio é que quando saímos para dançar em eventos com alunos, se deixar eu nem consigo dançar uma música com ele. Não tenho ele só pra mim, né?!rs Mas eu entendo, me divirto também.”

Para ele: “Exatamente por ter que dançar com várias alunas e ser muito chamado para dançar nos bailes, se for uma namorada que não é da dança não entende e tem ciúmes. Quando a pessoa é da dança é mais fácil de entender isso.”


Jessyca e Krepp


Namorados, professores de dança na escola In Dança e Pé Descalço JF. Veja a história deles nsegundo post dessa série Casais da dança.

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Jessyca e Carlos. Créditos: arquivo pessoal.

VANTAGENS

Para ela: “Ter alguém com interesse em comum e coisas em comum para fazer é maravilhoso para o casal, ficamos muito mais unidos.”

Para ele: “Ter uma parceira de dança que também é namorada é muito bom, por tê-la perto sempre, podemos treinar a hora que quisermos ou sair para viajar pra um congresso ou evento de dança de última hora, ter a pessoa ali topando tudo com você é muito bom.”

DESAFIOS

Para ela: “Muitas vezes, temos opiniões opostas sobre certos assuntos de dança e escola. Isso é desafiador, pois nós dois somos da dança e damos aula, sabemos do que estamos falando.”

Para ele: “Claro que por ter uma parceira e namorada de dança, não temos a mesma liberdade. Às vezes as alunas ou pessoas em festas ficam sem graça de chamar pra dançar por estarmos acompanhados.”




Nathalia e Alexey


Namorados, se conheceram através da dança na escola de dança de salão que participam e dançam juntos até hoje. Um marco no namoro dos dois e o que os aproximou muito foi a apresentação ‘’Idas e Vindas’’ de zouk na qual fizeram o casal principal da coreografia. Veja o vídeo aqui.

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Nathalia e Alexey. Créditos: arquivo pessoal.

VANTAGENS

Para ela: “O parceiro geralmente é mais cavalheiro, o casal tem mais sintonia e é mais uma maneira de se divertir juntos.”

Para ele: “As vantagens? Nunca ficamos parados em festas.”

DESAFIOS

Para ela: “A única desvantagem seria quando outras pessoas não conseguem entender que uma dança pode acontecer sem interesse, tirando isso, são só vantagens."

Para ele: “Desafios? Dentro da escola, nenhum. Meus ciúmes que às vezes me deixa encabulado por ela dançar com estranhos em festa, até porque, dependendo da festa os homens normalmente querem outra coisa, não só dançar.”

Claro que as vantagens são muito maiores que os desafios. Namorar alguém que também dança só tem a somar na nossa vida e na nossa dança. É muito importante para um casal ter estilos de vida semelhantes, interesses em comum e uma paixão para curtirem e dividirem juntos. E você, tá esperando o que para convidar aquele crush para dançar? Quem sabe não é a partir daí que vocês vão caminhar juntos nos passos da dança?!

Casais da dança: juntos nessa paixão – Era uma vez um xote...

A música é lenta, o casal dança agarradinho e o coração bate mais forte envolvido por um xote. Clarissa e Felipe, Jessyca e Carlos, Ângela e Paulo são casais forrozeiros que se apaixonaram ao som de uma sanfona.


Hoje eu vou contar mais três histórias de amor da série Casais da dança - juntos nessa paixão. Mais especificamente do forró, um ritmo delicioso e envolvente que sempre deixa corações apaixonados por aí. Acho que dá pra ler o post ao som de um xote bem gostoso para entrar nas histórias...

CLARISSA VIEIRA <3 FELIPE JÚLIO

A história desses dois se mistura à história da escola de forró Pé Descalço de Juiz de Fora, afinal são eles os diretores da unidade e responsáveis por muitos forrozeiros da cidade saberem dançar bem um forrozinho hoje. 

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Felipe e Clarissa, professores de forró na Escola Pé Descalço. Créditos: Priscila Machado.

O PD JF foi inaugurado em 2013, mas a história desse casal começa em 2009 quando se conheceram numa balada sertaneja. O primeiro encontro já teve a ver com pé, porém, um pé quebrado que Felipe estava e não podia dançar. Mas mesmo assim, foi corajoso para ir conversar com Clarissa, na época uma adolescente de 16 anos emburrada sentada na mesa com os adultos que a levaram para aquela bendita festa (no dia ela achava que era maldita!rs). A sintonia foi imediata e já anunciava a harmonia que o casal teria também na dança, o que fica evidente quando se vê os dois dançando.

Mas assim como é difícil dirigir uma escola e fazê-la crescer, o namoro dos dois também teve algumas batalhas antes de assumirem um compromisso. Foram 2 anos ate o início do namoro. Felipe já dançava e fazia aulas de dança de salão, Clarissa só dançava em festas com as amigas. Mas a aproximação do casal trouxe a menina para a dança e fez com que os dois se desenvolvessem juntos em vários estilos, como o samba, soltinho, bolero e zouk, mas o que fazia o coração deles bater mais forte era o forró. Por isso, começaram a procurar as aulas do Pé Descalço em Belo Horizonte e se apaixonaram pelo estilo da escola.

Depois de um tempo de dedicação à dança, os dois, sempre juntos, foram convidados pelos diretores do Pé Descalço de BH para abrirem uma unidade em Juiz de Fora. Um dos requisitos que os fizeram ser escolhidos foi exatamente a sintonia do casal e envolvimento e comprometimentos deles com a dança. Juntos eles já eram mais fortes do que imaginavam.

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Juntos há 5 anos, o casal já fez aulas de vários estilos de dança de salão, mas se apaixonaram pelo forró.
Créditos: Michael Lopes.
Atualmente Clarissa e Felipe tem 5 anos de namoro e passaram muita coisa juntos, não só pessoalmente como na dança. Mesmo sendo muito novos, abriram uma escola de forró em Juiz de Fora, estudam e trabalham além de darem aulas, viajam constantemente para BH para cursos de professores, aulas particulares, reuniões administrativas e exames de colares. Chegaram juntos no penúltimo nível de colar, o da roda preta avançada, e continuam trabalhando com muita dedicação e humildade para pegarem o último colar do Pé Descalço, o colar vermelho, que representa paixão, nada mais em consonância do que a história, a dança e as aulas desse casal. 

Graças a eles e essa paixão que exalam pela dança e um pelo outro, o forró em Juiz de Fora cresce constantemente, hoje são mais de 70 alunos na escola e muitos apaixonados pelo forró graças à sementinha que eles plantam todos os dias. Tudo isso por causa de um pé quebrado, ainda bem! Rs

ANGELA COELHO <3 PAULO VIDAL


“Nosso corpo se aproximou para dançar juntos, nesse momento sumiu tudo e parecia que só tínhamos nós dois e a música no mundo.” É assim que Paulo descreve a primeira dança que teve com Angela, há pouco mais de 7 meses em um forró de Juiz de Fora. Apesar de serem da dança e terem costume de dançar com várias pessoas, eles sentiram que aquela dança era diferente e desde esse dia não se desgrudaram mais.

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Juntos ha 7 meses, o casal Angela e Paulo se envolvem cada vez mais um com o outro e com a dança.
Créditos: arquivo pessoal.

Ela já dança há alguns anos, começou em São Paulo com dança de salão e depois de passar um tempo fora do país, ao voltar para o Brasil e vir morar em Juiz de Fora, logo procurou uma escola de dança. Ele dança há 10 anos e há 7 já dá aulas de dança de salão em Barbacena, sua cidade natal, e nas cidades próximas. 

No dia que se conheceram, Angela só queria sair para dançar um pouco, precisava extravasar e foi pela segunda vez naquele forró. Paulo, que há 2 anos não vinha em Juiz de Fora dançar, também foi cheio de energia para a noite toda. Mal sabiam eles que iam se apaixonar naquele dia ao som de uma sanfona.

Mesmo Angela não trabalhando com dança, o casal não consegue pensar hoje na vida dos dois sem a dança. Atualmente fazem aulas de forró juntos em Juiz de Fora e sempre que podem treinam. Além de mais da metade dos programas do casal ser festas para dançar. A paixão pela dança cresce no mesmo ritmo que eles se conhecem e se apaixonam, embalados por um forró gostoso e envolvente.

JESSYCA BARBOSA <3 CARLOS KREPP


Sabe aquele casal que se completa? Que não se desgrudam e você nem consegue mais imaginar um sem o outro? Esses dois são assim, exalam amor e sintonia! Ela morena, ele loiro. Ela com o jeito encantador de menina, mas com seriedade de uma mulher. Ele com a empolgação de um menino, mas os sonhos de um homem. Ele dá a condução na dança e na vida, ela desenvolve o passo e vive de forma leve e elegante. Ele ensina um movimento na aula, ela completa com os seus toques. Ele é ar, ela é água. Ele é 5, 6 e ela 7 e 8.

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Carlos Krepp e Jéssyca Barbosa, namorados, parceiros e professores de dança de Juiz de Fora. Créditos: arquivo pessoal.

Mas toda essa sintonia não podia ser imaginada por eles quando se conheceram numa aula de dança. Jessyca, na época com 16 anos, fazia balé no seu bairro e foi convidada por um professor da mesma escola a fazer aulas de outros ritmos no centro da cidade. Carlos estava na mesma escola dando aula de zouk e quando viu Jessyca dançar logo notou que a menina tinha potencial e a convidou para fazer mais aulas. Logo ela já era bolsista da escola de Krepp.

Carlos dança há 12 anos e dá aulas de dança de salão há 4, desde 2014 tem sua própria escola, o Espaço In Dança. Jessyca dança desde os 7 anos, começou com aulas de jazz e balé clássico, desde que começou a dançar com Carlos se desenvolveu também na dança de salão. Com histórias tão diferentes e mundos distantes, os dois não podiam imaginar que iam se conhecer pela dança e se envolver.

A leveza e consciência corporal que Jessyca tem por causa do balé, se encaixaram perfeitamente nos estilos de dança que Krepp ensinava e gostava, como o zouk e o forró. Krepp então começou a ficar encantado pela menina, que também se encantava a cada dia que conhecia novos passos e possibilidades na dança. 

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Por morar longe do centro e pelas aulas de dança serem até tarde da noite, Krepp ficou com a responsabilidade perante a mãe de Jessyca de levá-la em casa quando necessário. Com isso, o os dois começaram a se aproximar e perceberam que o encantamento não era só pela dança, mas também um pelo outro.

O casal está junto há mais de um ano e levam o compromisso que tem com a sua relação e com a dança muito a sério. Estão sempre em busca de novos conhecimentos, cursos e estão sempre treinando juntos. Jessyca agora dá aulas no In Dança e também no Pé Descalço junto com Krepp. E quem é aluno sabe que ter aula com esse casal é realmente inspirador e apaixonante, como eles!

Ahh, é incrível como a dança aproxima e une as pessoas. Veja também outra história linda da série Casais da dança - juntos nessa paixão - do casal de professores Carla e Joseph
Quem nunca se deixou levar e envolver nem que seja por uma música não sabe o que é dançar e se apaixonar! 

Casais da dança: juntos nessa paixão – Carla Marins e Joseph Santos

Quando os parceiros de dança Carla e Joseph descobriram que não era só a dança que os unia, mas também o amor um pelo outro, tiveram que batalhar muito para ficarem juntos


O amor está no ar...e no nosso caso, nos pés também! Hehe A dança é uma arte apaixonante e com amantes muito fiéis. Muitas pessoas já tem uma história de amor com a dança. Mas quando através da dança um casal se conhece e se apaixona, ahhh....aí fica tudo mais lindo ainda! Eu fui atrás dessas histórias incríveis de casais que se conheceram na dança e trouxe para vocês se emocionarem e se inspirarem. Vou postar durante a semana essas histórias, para encher os dias de vocês de amor e emoção (sim, estou extremamente melosa depois dessas histórias rs).

CARLA MARINS <3 JOSEPH SANTOS


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Carla Marins e Joseph Santos, professores na escola Magia da Dança em Juiz de Fora.
Créditos: arquivo pessoal.

Carla é formada em educação física, mas desde que conheceu a dança, investiu e começou a trabalhar na área. É professora de balé clássico e jazz. É proprietária e professora na escola Magia da Dança, que já tem 25 anos. Joseph é bailarino e coreógrafo, também é professor na Magia da Dança, além de trabalhar com produção de eventos infantis no Magia Produções.

Quem vê hoje esse casal lindo dançando, felizes e trabalhando com dança, não imagina a grande e emocionante história deles e o quanto batalharam para ficarem juntos.

Eles se conheceram quando Joseph tinha 9 anos e foi participar de uma coreografia na escola de dança de Carla. O perceptível talento do menino para a dança chamou atenção dela, que o convidou para fazer aulas na turma infantil. Nessa época, Carla não podia imaginar que aquele garotinho um dia ia ser o homem da sua vida.

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Joseph e Carla se conhecem ha 22 anos apaixonados pela dança e hoje um pelo outro.
Créditos: arquivo pessoal.

Joseph sempre se destacou na escola, tanto pelo talento na dança, como pela educação e carinho que tinha por todos. Uma cena marcante na lembrança de Carla é quando os alunos iam se despedir dela no final da aula e faziam uma fila para dar um beijo de despedida na professora. Joseph sempre ficava por último na fila, deixando até os colegas passaram na sua frente. Uma vez questionado sobre isso, o esperto menino respondeu: “Os outros podem te dar vários beijos, mas o último e que ficará marcado sempre será o meu”. Carla sempre via tudo como carinho de criança com a professora e o tratava como tal.

O tempo passou e Joseph foi crescendo como rapaz e evoluindo na dança. Já dava aulas com Carla e trabalhavam juntos em apresentações de dança. Mesmo sendo mais novo, Joseph sempre foi um rapaz muito maduro para sua idade, o que chamava atenção de Carla e os aproximavam muito como amigos e parceiros de dança. Mas...quando o amor acontece, não tem como negar ou evitar. E com o tempo os dois perceberam que não eram só apaixonados pela dança, mas também um pelo outro. 

Mas os desafios de ficar juntos eram maiores do que os passos de dança que treinavam exaustivamente para suas apresentações. Carla estava saindo de um relacionamento longo. A diferença de idade também era algo que assustava não só os amigos e familiares de ambos, mas eles mesmos. Carla comenta que foi um choque quando percebeu que estava apaixonada por um rapaz 16 anos mais novo que ela e um aluno seu que viu crescer. Era uma mistura de emoções dentro dela, e hoje ela vê como esse sentimento mudou com o tempo, como ela mesma diz “Ora ele foi meu filho, ora meu aluno, meu amigo, meu parceiro de dança, e agora pai do meu filho e meu marido”.

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Antes de ficarem juntos como casal, Carla e Joseph eram parceiros de dança. Créditos: arquivo pessoal.

Mas para o amor nada é impossível, sei que parece clichê, mas a história desses dois é prova disso...os dois decidiram ficar juntos e enfrentar tudo e todos. E a maior prova de que esse amor era real foi quando Carla, que até então não queria ter filhos, sentiu o desejo de externar ainda mais o seu amor e quis ser mãe, ficou grávida. O filho do casal nasceu com uma doença que somente 20% dos casos sobrevivem, mas o pequeno Ruan sobreviveu sem nenhuma sequela - é o único sobrevivente em Minas Gerais -, e hoje é uma criança super saudável, linda e feliz. Fruto de um amor que era para acontecer.

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O pequeno Ruan, filho do casal. Créditos: arquivo pessoal.

Atualmente o casal trabalha juntos como professores de dança na Magia da Dança e vivem da dança e da arte. Carla comenta que quando as pessoas perguntam para o casal, “ Desde quando vocês estão juntos?”, ela responde, “Desde sempre.”, afinal se conhecem desde que ele tinha 9, tem 22 anos. Mas eu diria que são 22 anos nessa vida, porque história bonita e emocionante como essa com certeza é muito mais antiga, rs.

E mesmo juntos há tanto tempo, o casal não perde o romantismo. No final da minha entrevista com Carla, feita pelo Whats App (tecnologia taí pra ajudar quem não tem muito tempo!), ela encaminhou os áudios emocionantes que me mandou contando a história do casal para o marido. Quando ele chegou em casa, estava com os olhos até inchados de chorar e não deixou de homenagear a mulher que sempre amou, olha o que ele levou pra casa hoje:

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Homenagem que Joseph fez à Carla depois de ouvir seu
depoimento sobre a histórias dos dois para esse post.

A história desses dois daria um livro, mas como eu tive que resumir espero que tenham gostado e se emocionado assim como eu quando fiz a entrevista. É lindo ver como a dança aproxima e envolve as pessoas e como para o amor não há barreiras ou limites, nada é mesmo impossível quando se ama e se faz o que ama.

Fiquem de olho que logo tem mais história linda de amor na dança. Espero que se sintam inspirados! Para os solteiros, quem sabe também não encontram um grande amor na dança. Só ficar esperto, afinal, o seu amor pode estar a um passo...de dança!

A musicalidade na dança


Expressão da música pelos movimentos corporais, entrar no ritmo ou sentir verdadeiramente a música? Afinal, o que é a musicalidade na dança?



A música é algo inerente à dança. A primeira é o que dá forma à segunda, e a segunda não existe sem a primeira. Não tem como pensar na dança sem a música. Afinal, quando você pensa em uma dança, você associa automaticamente ao estilo de música, certo? Mas se é tão óbvio que a dança só existe graças à música, por que ouvimos falar tanto do conceito de musicalidade na dança?

Segundo o dicionário, musicalidade é algo de caráter, qualidade ou estado do que é musical. Mas pensar em musicalidade na dança vai desde o conceito básico – esse de que é uma coisa intrínseca a outra – a conceitos mais avançados e complexos. Para alguns, musicalidade na dança é conseguir se expressar bem em seus movimentos a música que se ouve, interpretá-la com o corpo no ritmo certo, em cada palavra, instrumento ou melodia. Mas se não é algo exato e sim totalmente subjetivo, que depende mesmo de cada um, como entender bem essa tal musicalidade?

musicalidade na dança
Musicalidade é sentimento ao dançar, sentir a música, o corpo do parceiros e a energia trocada nesse momento.
Créditos: Aline Jácome.

Para me ajudar nessa questão eu pedi ajuda a bons entendedores do assunto. Conversei com um grupo de amigos e professores de dança da escola de forró Pé Descalço (PD), de Belo Horizonte. O estilo do forró praticado no PD é bem rico em musicalidade, pois além do forró tradicional, os movimentos ensinados são mesclados entre os do forró pé-de-serra e outros estilos de forró, com conceitos e passos de salsa, zouk, samba, soltinho, bolero e outras danças.

Por isso, ao perguntar a eles sobre o que é a musicalidade, obtive respostas bem complexas e ricas. Luiz Henrique, Lucas Dumont, Sorel Soares, Ana Flávia e Milena Moraes entendem que a musicalidade não é um passo ou uma técnica ensinada, é algo sentido. Segundo eles, vem de cada um colocar sentimento e expressar a música. “Musicalidade é dançar e sentir a música, não só executar passos”, diz Luiz. 

Como desenvolver a musicalidade na sua dança?


Por ser tão individual, a musicalidade na dança é algo difícil de explicar e ensinar. Por isso, perguntei a eles como fazem nas suas aulas para passar o conceito de musicalidade e desenvolvê-lo nos alunos. “Nós tentamos desenvolver o conceito de musicalidade em todos os níveis”, explica Luiz. Segundo eles, as aulas de musicalidade são mais para os alunos se soltarem na musica, pois não dá pra explicar o sentimento da música para o outro, isso é muito pessoal. “Na verdade, as aulas são bem soltas e abertas, queremos induzir o aluno desde o início a colocar o que ele tá sentindo com a música na sua dança”, completa Dumont.

Na verdade, como Milena pontua, na musicalidade é permitido sair um pouco das regras. Pois muitas vezes você acaba saindo um pouco daquilo que foi ensinado, mas segundo eles está tudo bem, faz parte, pois a regra na verdade não são os passos ensinados, mas sim a música que VOCÊ sente.

Escutar música ajuda? 


Eles destacam que querem que os alunos entendam antes de qualquer coisa na dança, que o mais importante é ouvir a música. E se a dança está intimamente ligada à música, é muito importante afinar os nossos ouvidos, é preciso ouvir mais a música ao dançar, e não simplesmente executar passos no ritmo.

Na nossa conversa, ouvi algo que eu estou começando a perceber ultimamente em mim e em alguns colegas de dança: com o tempo você começa a se conectar tanto com a música que mesmo que dance uma que nunca ouviu, consegue acompanhá-la bem e expressar a musicalidade dela na sua dança. 

Vejam abaixo uma apresentação de improviso dos professores em um workshop que deram aqui em Juiz de Fora. E observem um bom exemplo de dança com muita musicalidade.





Musicalidade é algo complexo e ao mesmo tempo tão natural que parece bobo falar disso. Mas para desenvolvê-la melhor é preciso compreendê-la conscientemente e treinar nossos ouvidos e nosso corpo. Acredito que no final das contas, a gente não aprender a dançar certo ritmo, executar certos passos numa música lenta ou rápida, a gente aprende a se expressar diferente em cada música de acordo com o que estamos ouvindo. Para mim, musicalidade é exatamente você expressar com o seu corpo o que a música te faz sentir.

Vejam mais um vídeo que acho que representa muito bem a musicalidade expressada na dança. É o casal de tango Gustavo Naveira e Giselle Anne, que fazem apresentações belíssimas e essa é uma das mais lindas que já vi. O tango, por ser muito expressivo e intenso, consegue passar bem esse conceito de musicalidade.



E para você, o que é musicalidade? Conta pra mim aqui nos comentários.